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A Liberdade Sob Risco: O Passado e o Presente em Debate

Foto do escritor: Dakila NewsDakila News

O filme Ainda Estou Aqui, inspirado pela luta de uma mãe durante a ditadura militar, pode ser visto como um retrato do Brasil de ontem, mas também um reflexo do que estamos vivendo hoje. Embora o país tenha mudado desde os tempos da repressão militar, o filme toca em questões ainda muito atuais: a opressão, a falta de liberdade de expressão, o controle sobre as informações e o custo da verdade. Ao relembrarmos o passado, é impossível não nos perguntarmos: será que, de alguma forma, estamos revivendo esses mesmos dilemas, mas em uma nova roupagem, mais tecnológica e menos visível?


No Brasil contemporâneo, a liberdade de expressão, que é um dos pilares da democracia, vem sendo desafiada por diversos fatores. A regulação das mídias digitais e o crescente número de restrições à comunicação e ao direito de protestar levantam questionamentos sobre até onde vai à liberdade de cada cidadão.

As intervenções do Supremo Tribunal Federal (STF) em casos envolvendo manifestações políticas e o impacto das “fake news” mostram como o cenário atual se aproxima, em certos aspectos, dos tempos de repressão abordados no filme. A dúvida que persiste é: quem decide o que é verdade? E quem fiscaliza aqueles que “fiscalizam” a verdade?

A recente condenação de manifestantes que participaram dos protestos de 8 de janeiro de 2023, como parte de um movimento de contestação ao governo, reflete um cenário em que as ações de um grupo são generalizadas, e muitas vezes responsabilizadas de maneira coletiva, o que pode soar injusto. Afinal, o que justifica a diferença nas penas, entre aquelas que envolvem crimes de maior gravidade, como homicídios, e aquelas relacionadas a protestos políticos, como os de janeiro? A interpretação da “ameaça à democracia” e “ordem pública” continua sob debate, principalmente quando muitos questionam se o protesto original era de fato pacífico, ou se houve manipulação por parte de infiltrados. Mas, quem define qual manifestação é legítima e qual é perigosa?

No contexto atual, as limitações na liberdade de expressão são especialmente visíveis nas plataformas digitais, onde debates importantes sobre o futuro do país são constantemente censurados, seja por intervenções governamentais, pela moderação das redes sociais ou pela política das “fake news”. Essa realidade está interligada com as questões abordadas no filme, que reflete um período em que a verdade e a liberdade estavam sob vigilância constante, com o pretexto de preservar a ordem pública. Mas o que é, de fato, "ordem pública"? É possível garantir a ordem sem violar os direitos fundamentais? Não deveríamos, como sociedade, buscar um equilíbrio mais justo entre a liberdade de se expressar e a necessidade de proteger a verdade?

E se a transparência governamental fosse apenas um conceito distante e utópico, como o filme sugere ao tratar dos atos de repressão dos anos 70, mas que, de algum modo, ainda se aplica ao cenário atual? O debate sobre o “Ministério da Verdade” ou a regulação da informação é uma tentativa legítima de evitar distorções da realidade, mas quem se torna responsável por definir qual verdade deve ser aceita? Em um cenário onde muitos se perguntam se as informações que recebem são confiáveis, não seria este um momento crucial para refletirmos sobre as consequências de controlar, filtrar ou limitar o acesso à informação?

Em um Brasil em que protestos e manifestações continuam a acontecer, é fundamental questionarmos: estamos em um momento de evolução ou de repetição? Até que ponto a repressão à liberdade de expressão, seja nas ruas ou nas plataformas digitais, não está criando um ciclo de controle que se assemelha ao vivido no passado? Quando a liberdade é tolhida em nome da segurança, da ordem ou da verdade, o que estamos realmente perdendo? São essas as questões que o filme Ainda Estou Aqui e a realidade atual nos desafiam a refletir, sem respostas fáceis, mas com a certeza de que, como sociedade, devemos garantir que o debate permaneça livre, justo e, acima de tudo, transparente. Matéria autoral de Bruna Brutscher


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